Domingo, Dezembro 06, 2009

ALGUMA COISA DO LIVRO

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CONTEMPLAÇÃO
As janelas não matam a sede.
O infinito exige, no mínimo,
uma varanda.
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FLORESCER
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Me enterro em trevas.
Mas quando a madrugada morre,
colho sóis nos jardins da manhã.
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ONTEM
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curiosamente
fica a sensação
de que amanhã
pode não ser outro dia
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CULINÁRIA
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A amiga pergunta pra outra:
- Então, como é namorar um cozinheiro?
A outra responde pra amiga:
- É maravilhoso! Tenho experimentado umas comidas tão diferentes...
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LINGUAGEM

conheci uma gringa. noite dessas no Rio.
não entendeu bem meu idioma,
mas adorou a minha língua.

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

SARAU DO POVO

Desde Julho de 2007 acontece um sarau bem lôco em Diadema. É o SARAU DO POVO!

Idealizado pelos marginais Hudson Santos e Zé Luiz Freitas, o encontro mensal de poetas, atores, músicos, artístias plásticos, grafiteiros, skatistas, anarquistas e demais pessoas com a puberdade mal cuidada ocorre no Bar do Povo, situado na rua São Bento, número 46, Jardim Arco Íris, Diadema.

O próximo vai rolar no dia 12, em homenagem a Paulo Leminski e Vinicius de Moraes. Além do recital, também tem uma mostra de curtas e animações e umas contoria ao som do bão e véi violão...

Pra saber mais da coisa, clica aqui!

Te espero lá, misifi!!!

Domingo, Novembro 22, 2009

ELOGIO AO CAFÉ

abro os olhos devagar, como se tivesse medo da luz do sol que inunda o quarto pela janela. dormi mal, não tenho sono. coisa estranha. o relógio, preguiçoso, ainda não despertou. corpo esticado no colchão pede: ducha, café, cigarro. café primeiro. vou até a cozinha com lentidão. na minha boca persiste o gosto dos versos que li em voz alta antes de adormecer. "meus olhos devorados pela sombra". pica, esse neruda. foda mesmo.

água no bule bule no fogo. a garrafa térmica guardava algo que já é passado. uma vida inteira, escura, fria e sem sabor. era meu corpo aprisionando uma alma cadáver, um espírito mofado, envenenado. carente de algo novo, algo vivo, a garrafa é lavada, por dentro e por fora. o que a habitava escorre pelo ralo da pia. ralo que percebo como abismo, convidativo, atraente.

suporte, filtro de papel e a estrutura está montada: três generosas colheres de extraforte- e enterrada naquele pó, toda a ardência adormecida, prestes a se levantar, faminta de preencher, com paixão e sinfonia, as fissuras das paredes, os cômodos do lar repleto de ausência. ebulição. água revolta, irmã das magmas; água que guarda em si a chama, a força de tudo que se pode chamar calor. a despejo no suporte e segundos depois um cheiro de delírio invade a casa.

café é insanidade. misturado ao verso, enche minha boca de constelações, corais, recifes, peixes elétricos e sereias epilépticas. enlouquece as marés da saliva. por longos momentos me esqueço da ducha, do cigarro, do aluguel atrasado, do vizinho chato, do neruda e de tudo mais. só eu existo, mergulhado na manhã, afogado numa xícara, abraçado pela promessa de vida estampada nas nuvens.

[são nesses momentos que se vê significado em acordar, renascer da noite, florescer no solo escuro para colher sóis nos jardins da manhã. momento de nada, de silêncio. momento de respirar a eternidade, abranger toda quietude, toda a paz e toda a guerra já vivida ou idealizada. momento de encarar o dia antes de convidá-lo ao ringue]

"se é verdade que deus não existe", penso to myself, "louvado seja o acaso pelo café!".

Sábado, Novembro 21, 2009

COISA MINHA QUE NÃO SEI

me rendo aos afagos da brisa e aos beijos secos oferecidos pelo sol. não sei deus, não sei minhaalma, mas a ambos me entrego também.

NÔMADE

de flores feridas e fogo escasso
é que se fez
o ausente rumo de meus pés

quando a estrada findar
e o sol não mais chorar sua luz
os filhos da mudez
entenderão a minha fuga

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

FUNDO

quantas tardes estão mofando
lá, depois do horizonte, dentro de mim?
quantas e quantas vozes se penduram em meus cabelos
se enroscam em minha língua
e perpetuam a expansão
do que já não restou?

pináculos de templos profanados:
trampulins.




(inspirado no poema "A CIDADE" de José Geraldo Neres - http://neres-outrossilencios.blogspot.com/)

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

BÚSSOLA

cresço
cansado e só

olhos perdidos
em antigos espelhos
lábios feridos
pelo silêncio

desço
ao fundo dos dias passados
e encontro
entre rostos sem nome
a imagem do que virá

sigo

pés famintos
por chão

Segunda-feira, Junho 01, 2009

PRAXE

Então o sujeito colecionava dores. As janelas que costumava ler não diziam muito a respeito do tudo lá fora. Dentro, uma ausência morria aos poucos, envenenada pela nicotina. Era cedo ainda, mas ele sabia de antemão: Amar pode ser o bastante.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Arre égua!

- Há quem não cridite nessas coisa, mas eu vi o Satanás! Valei-me minha Virge Santa, que o Tinhoso apareceu aqui! Ara, num tenho porque mentí, cê sabe bem. Eu qui achava qui por essas banda, tinha visto tudo! Ói qui eu arrepeio todo só de lembrar!

Apareceu todo elegante, de terno bem alinhado, barba bem feita, cabelo bem cortado, sabe? Parecia aqueles doutô que nóis escuita falá da TV. E o linguajá?! Minino, cê tinha que vê! Cunversa bem, usa umas palavra complicada... É astuto, o desinfeliz!

Vei cumas cunversa de comprá meu pedacim de terra pra fazê num sei o quê... Pagaria à vista, assim, na bucha. Eu fiquei tentado, num sabe? Do jeito que as coisa anda apertada, um dinherim a mais caia bem. Mais mode quê, moço, vô dexá minha terra? Aqui cresci, criei meus fí tudo. Temcumbinaçãoissonão, sô...

Cridita ni mim não, né? Tá certo, tem pobrema não. Mais ele disse que voltava aqui depois pra modi cunversá cosotrocapiaudaquí. Deus o livre! Ara, como eu sei que é Capiroto? Uai, quem mais vai querê tirá o pobre do lugar? Quem mais há de querê explorá o trabaialhei? Capitalista nada, moço, isso é coisa do cão mies.

Agora dá pra cá minha cahaça. E reza, viu?

Quinta-feira, Março 12, 2009

POR FALAR EM LITERATURA...

"(...) Linguajar e pensamento americanizado / Da Vince diz O Código pro Crepúsculo acontecer / A Lua Nova anuncia que o caçador de pipas foi caçado / Na Cidade da tua mente o Sol não vai nascer".

Os números são alarmantes! Por ano, milhões de livros são escritos, vendidos, comprados e lidos no mundo inteiro. Editoras renomadas, selos independentes... A produção editorial é gigantesca e cada vez maior. O que parece ótimo, afinal, muita gente tem lido mais. Ou não.
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O grande problema não é ter acesso aos livros. E sim, a que tipo de livros se tem acesso.
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Há pouco tempo atrás, mais ou menos na mesma época de "Harry Potter" e "O senhor dos anéis", Dan Brown foi o nome mais aclamado em termos de Best Sellers. O livro "O código da Vince", no ano de estréia, foi mais vendido que a Bíblia.
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Em seguida, surgiram os títulos "O Caçador de Pipas", "A menina que roubava livros", "O menino do pijama listrado" e hoje, a nova febre chama-se "Crepúsculo" ou, no original, "Twilight" da escritora estadunidense Stephenie Meyer.
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Trata-se de um livro com inegável qualidade de edição. Excelente acabamento, papel de primeira... De tão bonito, dá vontade de comer o exemplar! Mas, para um estudante de Letras como eu, que se diz escritor, as perguntas são inevitáveis: Isso é literatura? Com que propósito se investe tanto na editoração de livros desse tipo?
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O fato é que descobriram que a arte literária pode se tornar um objeto meramente comercial, se reduzida de sua essência. Histórias emocionantes, casos de amor bonitinhos escritos sob encomenda rendem, aos editores, cifras incalculáveis. Foi-se o tempo em que quem escrevia denunciava, criticava e refletia de maneira responsável sobre a sociedade, o homem, a vida e seus paradigmas... Não há sentimento artístico nos escritores que fascinam essa geração.

Pior que isso é a reação do público. De modo geral, e isso com raras exceções, os apreciadores desses livros comerciais (que na maioria das vezes viram filme, com a intenção de gerar ainda mais lucro) ignoram Machado de Assis ou desconhecem a profundidade da obra de Clarice Lispector, por exemplo. Gastar uma semana (ou um dia que seja) com um livro que no máximo me serve de passa-tempo é, no mínimo, falta de bom senso!

O livro "O menino do pijama listrado" é uma ficção que tem como cenário os campos de concentração Nazista. Duvido muito que o grande número de leitores desse livro chegou a ler um único exemplar de história ou estudou algo sobre o holocausto. Duvido que o grande público de "O caçador de pipas" se preocupa em estudar a história do povo afegão de modo geral. Duvido muito que quem lê "O doce veneno do escorpião" (outro sucesso em vendas), tem 'saco' para estudar políticas públicas visando compreender os problemas de prostituição num país como o nosso.

É preciso olhar essas coisas com olhos críticos. Enquanto engolimos essas histórias bem escritas, envolventes e cativantes, mas carregadas de superficialidade e desprovidas de qualquer sentido ou intento artístico, perdemos a oportunidade de crescer intelectualmente através de livros com conteúdo e sentimento verdadeiramente literários, e não só comerciais.

Um livro que não muda, ou que ao menos não se preocupa em mudar o ponto de vista, a concepção ou a percepção do leitor sobre determinado tema, um livro que não acrescenta ao intelecto, que não estimula a razão e o senso crítico, um livro que não mostra ao leitor novos caminhos e horizontes intelectuais, um livro que simplesmente emociona e toma tempo e dinheiro das pessoas não é digno de ser lido.

Para um contraste, deixo aqui algumas dicas para quem quiser comparar os “mais vendidos” com o que de fato é literatura:

- “Memórias póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis
- “Demian” de Hermman Hesse
- “Crime e Castigo” de Dostoiévski
- “A hora da estrela” de Clarice Lispector
- “Cem anos de solidão” de Gabriel Garcia Márquez
- “Noites do Sertão” de João Guimarães Rosa
- “Vidas secas” de Graciliano Ramos
- “O grande mentecapto” de Fernando Sabino

Outras tantas obras maravilhosas foram e são escritas para, entre outras coisas, não deixar a arte ser sufocada pelo comércio, pelo superficialismo e pela indiferença pós-moderna capitalista.

Vale lembrar, amigos, que pensar não é pecado. Deixar que os outros pensem por nós, é.

Boa leitura!

Sábado, Janeiro 17, 2009

HOMENAGEM AOS CALVINISTAS

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

VOZ ATIVA!

"A nós cabe despertar a consciência, voltar à nossa origem, essência. Esse tempo que vem necessitará de seres humanos mais inteligentes, mais nobres, com muito mais amor e capacidade para enfrentar esse cenário terrível. Devemos ser mestres em harmonia, para fazer existir harmonia mesmo nos cenários mais desarmônicos e cruéis. Temos nosso verbo, nossas ações, nossa voz. A nova terra vem. Será que estaremos lá? Força, amigos!"

'Quem disse que tudo está perdido? Eu venho oferecer meu coração'.

foto protesto por Rodrigo Londero
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Rodrigo é músico, compositor, poeta, professor, humano, gênio, louco, profeta, desenhista, violonista e integrante do Grupo Voz (Trio gaúcho fazendo umas andanças em Sampa e tirando o sono de muito vivente, dentro e fora da Terra da Garoa).
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